Duna Parte 2 – Crítica (Com Spoilers)

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Para início dessa crítica, não sou familiarizado com a obra original Duna de Frank Herbert, nem mesmo com o longa de David Lynch, lançado em 1984. O que conheço de Duna é o que li em blogs, assisti em vídeos de fãs e é claro pela primeira parte lançada em 2021. Digo isso, para deixar os leitores cientes que essa crítica é feita por um espectador com pouca bagagem referente ao gigantesco universo criado por Hebert e aqui adaptado por Denis Villeneuve.

Uma rápida opinião sobre o primeiro filme, já que não tenho uma crítica escrita sobre ele aqui no blog, é que eu gostei muito mais assistindo pela segunda ou terceira vez do que na primeira, digo isso por que o ritmo lento da primeira parte afasta o espectador desavisado, ainda mais o espectador que não sabia se tratar de uma primeira parte e com surpresa descobre que o filme não tem um final fechado.

Assistindo pela segunda vez mas dessa vez ciente das informações vejo que o filme não tem um final mas tem uma pausa, no momento que Paul Atreides (Timothée Chalamet) descobre seu objetivo no planeta Arrakis, após toda a tragédia de sua família e ao encontrar o povo Fremen, vemos que ele entende que seu arco é guiar aquele povo para liberdade do planeta ao mesmo tempo que usar o exército Fremen para se vingar do império.

Com o devido contexto colocado, começo minhas opiniões sobre duna parte 2 dizendo que a jornada de Paul se conclui muito bem, mas a longa duração do filme não me parece muito bem aproveitada.

O primeiro filme é lento e poucas coisas acontecem, mas a forma como os eventos se desdobra até a tragédia da família Atreides e o encontro com os Fremen é melhor executado. não que esse filme seja enrolação, muito pelo contrário, muita coisa acontece em muitos lugares, o que sinto que quebra ritmo da narrativa é o arco do Paul pra tentar se aceitar como o messias daquele povo.

Duna Parte 2 - Crítica (Com Spoilers)

O dilema dele em se aceitar ou não como Lisan al Gaib (a voz do mundo exterior), é muito bem colocado na história, através de suas visões e preocupação em levar aquele povo pra ruina por meio da fé, até ele perceber que é necessário que ele faça isso, o problema é que a narrativa da voltas e mais voltas nesse dilema sem leva-lo pra frente, e quando finalmente avança, o filme vai pro seu clímax final.

O tempo que Paul esta nesses dilemas poderia ser melhor aproveitado pelo longa, já que momentos importantes como ele ganhando a confiança da tribo, aprendendo a sobreviver no deserto ou até mesmo a montar um verme gigante, são momentos que passam muito rápido no longa não nos deixando se familiarizar com aquele povo junto com o protagonista. Em um momento o personagem está sendo tratado com desconfiança por alguns, algumas cortes depois e ele já tem a amizade deles.

O problema não é essa discussão sobre a profecia, se ela é criada ou se é real, o filme possui bons momentos desses debates, o problema é que o filme foca muito nisso e desfavorece outras partes.

Outro exemplo é os vilões saudakar, que no primeiro filme são os responsáveis por conseguir acabar com o exército Atreide, aqui eles aparecem só no clímax e logo são massacrados, assim como a vingaça de Gurney Halleck de Josh Brolin contra Rabban de Dave Bautista, que também se encerra em poucos golpes. A guerra em si tem momentos épicos, mas pra mim se resumiu muito a planos gerais, nos colocando dentro da ação em pouquíssimos momentos.

Os efeitos estão ótimos, mas eu gostaria de ver mais corpo a corpo, vermes gigantes e estilos de luta de culturas diferentes, mas o que temos é uma batalha que funciona, mas não aproveita seu potencial máximo como cena de ação.

O filme não é ruim, muito pelo contrário, os vilões apesar de pouco mostrados, são ótimos, a adição de Florence Pugh e Cristopher Walken como a filha do imperador e o próprio imperador da Casa Corrino, são adições importantes que poderiam ter aparecido no primeiro filme. o maior destaque novamente fica com os Harkonnen que assim como no primeiro longa, roubam a cena, com uma crueldade sem igual.

Duna Parte 2 - Crítica (Com Spoilers)

Stelan Skargard e Dave Bautista continuam imponentes, mas Austin Butler traz o toque psicopata que faltava, seu personagem Feyd-Rautha, é apresentado numa luta corpo a corpo, estilo gladiador, contra soldados Atreides, em uma fotografia preto e branco justificada pelo sol do próprio planeta deles, eu fiquei de boca aberta nessa cena.

O duelo final com Paul é feroz, cheio de ambição dos dois lados, um contra luz impecável, o tanto de coisas que está em jogo naquela luta, é sem dúvidas o ponto mais alto do filme pra mim, e um clímax bem conduzido pelas atuações.

Timothée Chalamet, tem espaço de sobra pra evoluir seu protagonista, o que vemos nesse lado é incrível, seu olhar com dúvidas e medos no começo do filme em comparação ao final quando ele discursa para os Fremen, com confiança e imponência, é outro dos grandes momentos.

Como leigo nesse universo, posso dizer que gostei muito de ambos os filmes, a cadência do primeiro me conduziu melhor e me fez se importar mais com os personagens, mas as conclusões do arco de Paul, junto ao debate político e religioso é melhor expresso nesse segundo.

Pela forma que o filme acaba, acredito que teremos continuações em breve, é esperar que saibam equilibrar melhor as narrativas, dando espaço para desenvolver e para sentirmos cada um desses momentos.

Duna Parte 2 - Crítica (Com Spoilers)

Minha vontade agora é de assistir os dois filmes em sequência para aproveitar melhor a narrativa, uma versão de 5 ou 6 horas no estilo de épicos como Ben Hur e Cleópatra, seria interessante de se assistir no cinema, com a transição de um filme a outro sendo preenchida por aquele letreiro de intervalo. mas essa é uma Hollywood que não acontece mais, e o que temos são épicos de 5 horas sendo divididos em filmes de duas partes, onde a primeira fica no prejuízo de não ter um fim como em Homem – Aranha através do Aranhaverso e o próprio Duna, e a segunda tendo o prejuízo de correr pra amarrar todas as pontas.

Nota: 3.5/5